Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014
"Ninguém diga: Desta água não beberei"

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Vice-presidente da AMI e responsável pela administração e coordenação geral da Ação Social em Portugal, Leonor Nobre recorda o início da AMI nesta área, a evolução da abordagem no combate à pobreza e os novos perfis das pessoas que atualmente solicitam apoio à AMI.

 

Quais as razões que motivaram o início da ação social da AMI em Portugal?

Após 10 anos de intervenção no mundo, foi sobretudo o contexto crescente da pobreza na Europa e em Portugal. Lembro-me que enquanto estudei em Bruxelas nunca vi um sem-abrigo ou um mendigo na rua. Quando lá regressei, no final dos anos 80, vi vários nas estações de metro e noutros pontos da cidade. Um fenómeno que se alargou também a Portugal. Havia muita gente que nos escrevia e contactava perguntando: se ajudam pessoas carenciadas em todo o mundo, porque é que não atuam também em Portugal? Decidiu-se então intervir em Portugal com as pessoas sem-abrigo. Na altura, existia o Alto Comissariado da Luta Contra a Pobreza (ACLCP) que era presidido pela Dra. Elza Chambel e que, desde a primeira hora, nos incentivou e apoiou porque existiam poucas instituições a darem apoio aos sem-abrigo.

 

Entretanto, esse apoio foi evoluindo a outras camadas da população?

Houve uma evolução fruto da própria existência dos centros. O primeiro foi a Porta Amiga das Olaias, inaugurado em Dezembro de 1994. Lembro-me de assistir nos primeiros tempos, a um isolamento total das pessoas. Os sem-abrigo comiam e iam-se embora. Não falavam com ninguém, muito menos entre si. Isso impressionou-me. Entretanto, as pessoas que recorriam ao centro foram ganhando confiança com as técnicas sociais e contando as suas necessidades, pedindo ajuda noutros serviços.

Simultaneamente, o ACLCP incentivou-nos a dar outras respostas. Começámos a ter muita procura ao nível do apoio social. Ninguém utilizava o restaurante sem primeiro falar com uma técnica social e isso ajudou-nos a compreender as necessidades e a alargar as respostas. Foi interessante assistir a essa mudança de comportamentos. Do isolamento, as pessoas passaram a ser até um pouco reivindicativas, a terem noção dos seus direitos.

 

É um sinal de integração, essa exigência.

Sem dúvida. O facto de pagarem uma quantia simbólica por alguns serviços, dá-lhes essa autoestima. Estou a pagar um serviço, logo tenho o direito a reclamar.

 

A ação social da AMI iniciou-se com esse registo de apoio a pessoas sem-abrigo mas foi-se alargando…

Sim, com a abertura de novos centros, em Almada, por exemplo. Já não era tanto a população sem-abrigo, mas pessoas que viviam no Bairro do Pica-pau Amarelo, com outro tipo de carências e necessidades. Começámos a alargar o apoio a famílias carenciadas. O que mais motivou as pessoas a recorrerem à AMI foi o facto de existir integração. O centro dá verdadeiro apoio à pessoa e não é apenas uma cantina…

 

Para além dos centros Porta Amiga, a AMI foi alargando os serviços e infraestruturas como os abrigos noturnos e o apoio domiciliário, por exemplo. Como é que surgiram estas valências?

As pessoas iam referindo as suas necessidades. A nossa luta sempre foi o encadeamento de soluções para que a pessoa sem-abrigo tivesse uma casa própria e pudesse gerir a sua vida com autonomia. Assim decidimos criar abrigos em Lisboa e Porto. O primeiro em Lisboa, com o apoio da Câmara Municipal. O simples facto de uma pessoa saber que tem um sítio onde passar a noite predispõe logo para uma atuação diferente no seu dia-a-dia, na procura de emprego. A ideia dos abrigos é essencialmente facilitar a inclusão social pelo emprego.

Com esta evolução dos princípios basilares da AMI em Portugal, fomos sendo solicitados para tantos apoios, que hoje a ação social da AMI toca praticamente todas as necessidades das pessoas que estão excluídas.

Já o apoio domiciliário começou como uma empresa de inserção, criada através do Instituto de Emprego. Na altura, servia apenas refeições ao domicílio. No entanto, considerámos alargar os serviços. Incluímos limpeza e higiene, por exemplo. Avançámos com um projeto que apresentámos junto da Segurança Social. Hoje temos duas carrinhas a circular, uma para as refeições e uma segunda para tratar das questões de higiene.

 

Como é que a AMI tem sentido a crise ao nível dos pedidos de apoio? Tem encontrado novos perfis de pobreza?

Ninguém diga “desta água não beberei”. Num momento de crise como o que estamos a viver, isto é ainda mais notório. Os exemplos são vários. As dependências, o desemprego, a solidão atravessam qualquer classe social. Hoje, muitas pessoas que tinham trabalho, filhos no colégio, faziam viagens ao estrangeiro, enfim, tinham a sua vida organizada, estão a recorrer aos nossos serviços. Basta que um dos cônjuges perca o seu emprego para que tudo se complique.

Existem casos de pessoas que querem ir buscar alimentos aos centros sociais da AMI (Portas Amigas) fora dos horários normais para não serem vistos. Hoje em dia ter um emprego com salário mínimo não quer dizer que não se necessite de ajuda.

A pobreza envergonhada tem aumentado. Uma grande parte das pessoas que recorrem pela primeira vez aos nossos centros faz parte dessa classe média, dessa pobreza envergonhada.



publicado por AMI às 14:43
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014
“O nosso objetivo é chegar às cinco mil horas de voluntariado”

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Durante este mês, os clientes da FNAC são desafiados em loja pelos nossos voluntários, que se encontram a apoiar nos embrulhos de natal, a ajudar na luta contra a pobreza. Os donativos recolhidos nos mealheiros são reencaminhados para os serviços sociais da AMI em Portugal. Luísa Nemésio, secretária-geral da AMI, participa todos os anos nesta iniciativa e explica um pouco melhor a importância da mesma.

 

O que a leva a participar nesta campanha?

A FNAC desenvolveu uma parceria muito consistente com a AMI. Foi pensada e construída em conjunto para que os colaboradores da FNAC participassem ativamente e permite trazer novos parceiros para a construção de um projeto estruturado sempre em evolução. As Infotecas FNAC/AMI  permitem o acesso às novas tecnologias dos beneficiários dos Centros Porta Amiga. Um outro projeto inovador "Os novos talentos" da FNAC possibilita a projeção de jovens artistas portugueses, sendo que a venda a um preço muito acessível a qualquer cliente reverte totalmente para o financiamento das Infotecas. A campanha do Natal é outra forma de conseguir fundos para a sustentabilidade desta iniciativa.

Como poderia recusar embrulhar os presentes daqueles que participam na construção deste projeto como forma de agradecimento? Graças a eles foi possível abrir cinco infotecas em Cascais, Almada, Porto, Vila Nova de Gaia e Funchal. Espaços que acolheram mais de 95 ações de formação em Tecnologias da Informação e Comunicação com mais de 700 participantes.

 

As pessoas têm reagido favoravelmente, voluntários AMI e clientes da FNAC?

A dúvida que eventualmente possa surgir é dos voluntários estarem a retirar postos de trabalho. Uma questão que é totalmente esclarecida, uma vez que a FNAC não conta à partida com esta participação, já que é livre e sem obrigação de horários completos. A presença dos voluntários é uma forma de dar visibilidade ao projeto, esclarecer os clientes sobre o trabalho da AMI e a parceria com a FNAC e, porque não dizê-lo, um incentivo à participação ativa de mais pessoas em ações de voluntariado.

É um trabalho que os voluntários fazem com prazer porque sabem que estão a contribuir para a felicidade de quem recebe os presentes e de quem beneficia desta parceria.

 

Algum episódio ou situação que queria partilhar?

Foi particularmente grato para mim, num dos dias em que participei, ter-me encontrado com a diretora-geral da FNAC, Dra. Claúdia Almeida e Silva, que se mostrou agradavelmente surpreendida pela participação direta, de "mãos na massa" de um elemento do Conselho de Administração da AMI. Percebi que não estava de todo à espera de me encontrar atrás do balcão a fazer embrulhos no dia 24 de Dezembro!

 

Qual a importância desta iniciativa para a AMI?

É dos exemplos mais paradigmáticos da verdadeira responsabilidade social. Construir um projeto de raiz em total sintonia, sem imposições de nenhuma das partes, procurando sempre melhorar, implicando pessoas e apelando ao voluntariado. Para além disso, graças à excelente imagem e notoriedade da FNAC, com perto de duas dezenas de lojas espalhadas pelo país, permite uma projeção e visibilidade muito grande do trabalho da AMI

 

Quem quiser participar como voluntário o que terá de fazer?

Basta aceder ao site da AMI em ami.org.pt, inscrever-se como voluntário e enviar um e-mail para voluntariado@ami.org.pt  Quanto mais participações tivermos maior será visibilidade do projeto. O nosso objetivo para este ano é chegar às cinco mil horas de voluntariado para permitir alavancar pelo menos 30 mil euros a favor da luta contra a pobreza.



publicado por AMI às 11:32
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014
AMI vai apoiar refugiados no Curdistão Iraquiano

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Agora que acabou de celebrar 30 anos e no dia em que de celebra o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a AMI vai estender o seu trabalho de apoio humanitário a uma das regiões mais problemáticas do globo, num esforço de minorar o sofrimento das vítimas do mais recente movimento de migrações internas no Médio Oriente.

 

Depois de visitar vários campos de refugiados no Curdistão iraquiano, a AMI decidiu juntar-se ao esforço internacional de apoio humanitário aos cerca de 1,5 milhões de pessoas que vivem em condições precárias naquela região desde que, no princípio de agosto, a expansão agressiva do Estado Islâmico do Iraque e do Levante levou a êxodos maciços de curdos iraquianos e sírios.

 

Na missão exploratória, Fernando Nobre visitou 3 campos na região de Erbil: o campo de Harsham, com cerca de 1400 pessoas, o campo de Bahrka (3000 pessoas) e de Kushtapa (que alberga 6000 pessoas). Já na zona de Dohuk, foram visitados 2 campos. O de Sharya, com 24 mil pessoas e o de Khank com 30 mil pessoas.  

 

Face às mais imediatas necessidades desta imensa população de refugiados e deslocados internos, o frio e as deficientes condições de salubridade, a AMI vai apoiar os campos de Harsham, Sharya e Khank. No primeiro destes campos, será estabelecida uma parceria com a ONG Qandil para a um projeto sanitário orçado em 25 mil euros e, nos dois últimos, o apoio será dado através da compra e distribuição de cerca de 4000 cobertores para as famílias mais vulneráveis destes campos.

 

Fotografia: Alfredo Cunha


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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014
30 Anos a Acreditar no Futuro

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Falar dos 30 Anos da AMI é antes de mais relembrar uma utopia, um ideal que se afirmou e se concretizou na ajuda de milhões de pessoas em todos os continentes e na salvaguarda de centenas de milhares de vidas em situações de extrema urgência.

Mas falar dos 30 Anos da AMI é, sem descurar o nosso digno passado, sobretudo olhar para os desafios (pobreza/exclusão, alterações climáticas, migrações / guerras) que se vislumbram, e para as esperanças (sociedade civil, cidadania) que nos animam e nos estimulam.

 

O mundo mudou rapidamente e irreversivelmente nestes últimos 30 anos. A terceira revolução mundial em curso, no espaço de uma única geração, não tem retorno possível. Cabe-nos a nós adaptarmo-nos, inovando, sem nunca, jamais, abdicarmos dos valores humanos universais, sem os quais não haverá Humanidade mas sim Barbárie e Caos! O Desemprego, as Migrações, as Alterações Climáticas, os Conflitos regionais e globais, a escassez de Água e a Fome serão as maiores ameaças!

O nosso passado de sensibilidade, adaptação, inovação e ação será o estímulo decisivo para a nossa missão no futuro.

Nesse percurso de 30 anos quantos obstáculos ultrapassámos, quantas montanhas subimos, quantas fortalezas de egoísmo e de indiferença vencemos? Muitos!

Pois bem, é isso mesmo que vamos continuar a fazer com determinação.

Como? Inovando e adaptando permanentemente as nossas atividades e respostas nas áreas da saúde, ação social e educação, proteção ambiental e Direitos Humanos…

 

1) Na área internacional, (ação em saúde, social, ambiental e cívica) privilegiando cada vez mais a nossa atuação em parceria com instituições locais, certos de que será uma importante estratégia no fortalecimento da Cooperação para o Desenvolvimento [prevendo a continuação ou criação de novas parcerias de PIPOL (Projetos Internacionais em Parceria com Organizações Locais)] e promovendo, também, a integração de voluntários. Já temos uma rede global de parcerias mas vamos estendê-la ao limite último das nossas capacidades em várias áreas, designadamente, a saúde, a ação social, a ação ambiental e a sensibilização. Assim se justifica a nossa extensão recente a novos países tais como Madagáscar, México, Nicarágua, Índia, Iraque, Chile, Gana…

Mas na área internacional manteremos e reforçaremos, ainda, a nossa capacidade de intervenção imediata nas grandes catástrofes humanas, sobretudo climáticas, que se avizinham … Uma tónica especial será dada, também, às questões da água, saneamento, alimentação e proteção ambiental, não descurando a importância das ações de sensibilização e de alertar consciências, uma vez que a participação da sociedade civil é fundamental para promover a mudança de atitudes e comportamentos.

 

2) Na área nacional (ação em saúde, social, ambiental e cívica), atuaremos com toda a nossa rede social nacional mas, perante a vasta pobreza estrutural existente, (cerca de 40-45% dos portugueses), iremos privilegiar a abordagem holística dos problemas das famílias.

Manteremos pois a vertente assistencial direta, que nos últimos anos se tornou necessária (há fome em Portugal!), mas olharemos com a máxima atenção para a investigação ligada ao nosso fundo marinho e ao estímulo na criação de emprego. Sobreviver não é maneira de viver!!

Continuaremos, também, com todas as nossas atividades de reciclagem e reutilização em curso, mas fortalecendo a reflorestação ligada ao nosso projeto Ecoética e dando um novo impulso às energias renováveis e à proteção ambiental.

Cientes também da necessidade do reforço da Cidadania e da Sociedade Civil Global Solidária, o nosso empenho e determinação irão fortemente em crescendo pois, mais do que qualquer outra ação, é aqui que se trava a luta essencial para o futuro e para a sobrevivência da civilização humana.

Meus amigos, a tarefa é pois imensa, mas não há tempo a perder. Estamos numa situação de enorme urgência global humanitária, social, económica, política e ambiental, mas sobretudo de valores e de Ética, que serão in fine, a última garantia de sobrevivência civilizacional!

A AMI irá dar o seu contributo nesse combate em nome de um passado que nos honra e em nome de um futuro que nos ordena!

Com a AMI estou pronto e decidido a não recuar, a não ceder. Venham comigo!

 

Em nome da Humanidade e dos valores que foram sempre os nossos, estamos cada vez mais empenhados no fortalecimento da Cidadania Global Solidária informada, ativa, participativa e exigente como única solução que resta à Humanidade: Educação, Ética, Exemplaridade. Eis as pontes a construir e a fortalecer urgentemente!

Estamos preparados para enfrentar os próximos 30 anos e construir um Futuro melhor e sobretudo mais Humano. Estaremos prontos! Viva a AMI e todos aqueles que acreditaram e acreditam, contra ventos e marés, e que nunca perderam a Esperança!

 

Prof. Dr. Fernando Nobre, Fundador e Presidente da AMI.



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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2014
AMI celebra três décadas

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Criada a 5 de dezembro de 1984 por Fernando Nobre, a AMI celebra esta sexta-feira trinta anos. E fá-lo-á, mais do que mostrando o seu histórico de atividades em Portugal e no Mundo, apontando caminhos para o futuro, num programa muito completo e diversificado que se prolongará até finais de 2015. Estão agendadas para os próximos meses iniciativas que pretendem, por um lado assinalar a data, por outro alertar consciências para “as duas doenças mais graves da humanidade: a intolerância e a indiferença”.

Ao longo do ano, a AMI pretende ainda preparar-se para lançar novos projetos que poderão ir da atribuição de bolsas de estudo, ao empreendedorismo social ou ao apoio de propostas criativas no lançamento de microempresas.

Para o fundador, “pobreza, alterações climáticas, migrações e guerras são os grandes desafios que teremos de enfrentar”.

Em três décadas de existência, a AMI diversificou a sua atuação, impulsionada por uma participação cada vez mais ativa, adaptando-se à evolução da sociedade e procurando uma intervenção coerente e harmoniosa. Foram trinta anos de luta contra a intolerância e contra a indiferença, a acreditar num futuro diferente e melhor. Trinta anos de sonhos, trinta anos de perseverança, de muitos projetos concretizados e muitos por concretizar.

Aquando da sua fundação, o propósito da AMI era claramente, a intervenção a nível internacional e na área da saúde, tendo a sua primeira missão decorrido na Guiné-Bissau, em 1987.

Em 1994, e depois de levar a presença humanitária portuguesa aos quatro cantos do mundo, a AMI decidiu, perante o empobrecimento acentuado de parte da população do Mundo Ocidental, intervir em território nacional e estender a sua atuação à área social, com a abertura do primeiro Centro Porta Amiga.

Com a sua preocupação de independência e sensibilização da sociedade civil, a AMI foi pioneira no desenvolvimento de projetos de sustentabilidade, dos quais se destaca, a Campanha de Reciclagem de Radiografias lançada em 1996. O êxito desta ação dedicada às preocupações ambientais levantadas a nível mundial na Cimeira do Rio em 1992, conduziram ao natural alargamento da sua ação à área ambiental, em 2004. PT200905_027.JPG

Mas este percurso não foi isolado, tendo-se fomentado a criação de parcerias e a participação ativa de voluntários e doadores; com todos eles, foi possível ajudar a construir futuros, influenciar percursos.

 É objetivo da AMI continuar a ser agente de mudança, acreditando que é capaz de juntar vontades. Para isso, está fortemente apostada em apelar a uma sociedade civil ativa, exigente, participativa e justa, capaz de olhar para o Ser Humano como o centro das suas preocupações.

Para Fernando Nobre, “a AMI está empenhada no fortalecimento da cidadania global solidária enquanto pilar fundamental na construção de uma humanidade mais justa, equitativa e pacífica. Falar dos 30 anos da AMI é antes de mais falar de uma utopia. Que seria do nosso mundo sem utopias nem gente solidária, interventiva e corajosa?"


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publicado por AMI às 10:40
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2014
Este País Não é Para Novos

01 Este país não é para novos - Alfredo Cunha.j

01 Este país não é para novos - Alfredo Cunha.j

 

No dia Mundial da População, 11 de julho, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou publicamente uma interessante análise da população em Portugal. Este documento revelou alguns dados preocupantes que antecipam de forma muito clara novos desafios para as Organizações Não Governamentais (ONG) que trabalham com idosos, para os governantes e sociedade em geral. Segundo o INE, “associada ao decréscimo populacional é expectável que nos próximos anos se aprofundem as alterações da estrutura etária da população em resultado da combinação do decréscimo da população jovem e do aumento da população idosa, com o agravamento do envelhecimento populacional”. Ou seja, Portugal será um país com menos população e mais envelhecido. Das 10,5 milhões de pessoas residentes em Portugal no ano passado passaremos para apenas 8,6 milhões em 2060. A tendência mundial é precisamente a inversa. O nosso planeta nunca cresceu tanto em termos populacionais. A população prepara-se para bater novos recordes. A Divisão de População das Nações Unidas aponta como cenário provável passarmos dos 7,2 mil milhões, em 2013, para 9,6 mil milhões em 2050.

Voltando a Portugal, o índice de envelhecimento apresenta um crescimento imparável: em 2001 tínhamos 100 jovens por 102 idosos, no ano passado os idosos passaram para 136 e em 2060 atingirão o valor de 300 por cada 100 jovens. Os maiores de 65 anos serão 35% da população total, enquanto, no sentido inverso, a população com menos de 15 anos diminuirá até 12%. O cenário baixo, mais pessimista, aponta mesmo valores ainda mais preocupantes, um Portugal com 43% de idosos e apenas 9% de crianças com menos de 15 anos.

Estes dados antecipam um futuro com novos desafios na área do apoio social aos idosos. Com acentuado envelhecimento populacional, será expectável assistirmos a um crescimento de situações de solidão e isolamento, necessidades dramáticas de cuidados continuados e especiais que poderão ficar sem resposta.

02 - Este país nao é para novos - Alfredo Cunha.

 

Se atualmente encontrar uma cama num lar com condições dignas e a um valor acessível é uma tarefa hercúlea, quase impossível para a grande maioria da população, num futuro próximo será um luxo apenas acessível a uma minoria de fartos recursos económicos. Poderemos mesmo assistir a um aumento exponencial de exclusão social de pessoas idosas e necessitadas de cuidados médicos. É provável que nas próximas décadas a procura de lares, apoios domiciliários e outros serviços seja bastante superior à oferta o que inflacionará os preços para valores próximos do absurdo. Por outro lado, observa-se uma fuga de enfermeiros sem precedente e a uma carência de médicos e voluntários, enquanto se multiplicam os seguros e soluções de saúde privadas para quem tem possibilidades.

É imperativo que as instituições de apoio social aos mais idosos comecem já a concertar esforços, construir infraestruturas, desenvolver parcerias, sob pena de Portugal vir a enfrentar uma tragédia nunca vista ao nível dos cuidados com idosos. A melhor forma dos jovens e adultos prepararem hoje o seu próprio futuro é tratarem desde já dos idosos como o carinho, respeito e dignidade a que têm direito.

Há mais de duas décadas que a AMI tem vindo a apoiar a população sénior. Primeiro nos centros Porta Amiga, depois com o Apoio Domiciliário e finalmente através de diversas atividades formativas e lúdicas como os Espaços de Prevenção à Exclusão Social.

 

Fotografias: Alfredo Cunha

 

 



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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014
Crises esquecidas: O papel das ONG

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 A crise financeira que faz tremer o mundo, e a Europa de forma particular, desde 2008, teve como efeito colateral que o único tema mediático tenha passado a ser as finanças públicas. Mesmo os subtemas associados: economia; desemprego; pobreza, passaram para um plano secundário.

Temas como o ambiente, que deveriam ser intemporais, sobretudo pelo impacto que têm na saúde pública, ficaram a viver na sombra. Os últimos 6 anos foram, por este motivo, de enorme oportunismo para indústrias e governos que desenvolvem atividades destrutivas em termos ambientais. Em alguns casos, a crise financeira foi mesmo instrumentalizada no sentido de justificar investimentos que em outros períodos teriam sido alvo de enorme contestação. Em nome da criação de riqueza, quase tudo foi permitido.

As ONG foram talvez a única força capaz de travar, ou pelo menos desacelerar, o sentido orquestrado pela macro finança global, em conluio com estados corruptos de países subdesenvolvidos e com estados falidos de países desenvolvidos. E fizeram-no bem. A eficácia das ONG globais melhorou com a sua profissionalização e com a aposta ganha na promoção da cidadania ativa. Hoje, as maiores ONG do mundo são forças de poder, também financeiro mas sobretudo mediático, capazes de desafiar e enfrentar corporações e estados. Com ordens de grandeza de milhões de cidadãos subscritores e de milhares de milhões de euros de orçamento anual, são hoje talvez a última fonte de esperança de que o mundo venha a ser um dia um lugar vocacionado para quem o habita: os cidadãos.

 

Luís Lucas, Diretor do Departamento de Ambiente.


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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014
19ª Campanha de Reciclagem de Radiografias arranca amanhã

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A AMI lança amanhã, 11 de Novembro, a 19ª Campanha de Reciclagem de Radiografias. Até ao dia 2 de Dezembro, vai ser possível entregar nas farmácias do país, as radiografias com mais de cinco anos ou sem valor de diagnóstico.

As radiografias serão posteriormente recicladas, evitando-se assim o seu envio para o lixo. A venda da prata extraída permitirá à AMI gerar financiamento para fazer face ao constante aumento dos pedidos de apoio social.

Este projeto permite angariar fundos equivalentes ao financiamento de um centro social da AMI para apoio aos mais desfavorecidos. No ano passado, foi possível duplicar este valor graças à entrega de radiografias por parte de hospitais e centros de saúde de todo o país.

Este ano, a AMI volta a apostar nesta iniciativa como uma das suas fontes de angariação estratégicas, demonstrando que, independentemente das dificuldades financeiras de cada um, todos podem contribuir sem custo.



publicado por AMI às 15:02
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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014
Ébola - Falemos claro!

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 Foto: Alfredo Cunha

 

As origens do Ébola…

 

Foi em Yambuku, próximo do rio Ébola na República Democrática do Congo (RDC), então Zaire, que a 1 de setembro de 1976 foi identificado pela primeira vez o vírus do ébola e que em simultâneo surgia no país vizinho, Sudão.

Esta primeira epidemia de doença por vírus Ébola (então designada de febre hemorrágica por ébola) provocou 431 mortos em 602 casos, despertando a comunidade científica para uma nova ameaça para a saúde pública, com contornos francamente desconhecidos e com taxas de letalidade preocupantemente elevadas (88% no Zaire).

Este alarme inicial não despertou interesse político dos países de alto ou médio rendimento, uma vez que a doença estaria confinada aos países mais pobres, sem qualquer indício de que a doença se viria a propagar além-fronteiras. Foi assim relegado ao esquecimento, não se promovendo o mínimo esforço na investigação da doença e meios de tratamento adequados, por falta de rentabilidade do investimento necessário.

Foram identificados entretanto e até ao momento 5 subtipos do vírus ébola: Ébola ou (Zaire), Sudão, Bundibugyo, Reston e Taï Forest, sendo que os três primeiros e particularmente os subtipos Ébola (Zaire) e Sudão, são os que apresentam maior preocupação dado o seu historial epidémico, com elevada mortalidade associada.

A epidemia atual deve-se ao subtipo Ébola, o primeiro a ser identificado e que, desde a sua descoberta e sem contabilizar os dados da epidemia atual, já foi responsável segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), por 1445 casos dos quais resultaram 1086 mortes (letalidade de 75%). Segundo a mesma fonte, no dia 27 de outubro de 2014, a epidemia atual já ultrapassava toda a sua carga histórica, com notificações acima de 13676 casos, 4910 mortos, espalhados pela Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria. Outros países já notificaram casos, no entanto em quantidade reduzida e na sua maioria, casos importados (Nigéria, Senegal, EUA e Espanha).

 

A doença manteve-se relativamente desconhecida do público em geral até ao ano de 1995 quando, após nova epidemia no Zaire, com taxa de letalidade superior a 80% e responsável por pelo menos 254 mortes confirmadas, foi realizada uma adaptação da doença às peliculas de Hollywood, através do filme “fora de controlo” inspirado pelo vírus do ébola, introduzindo também conceitos da doença puramente provenientes da ficção científica.

 

Como se transmite?

O ébola não se transmite pelo ar (como por exemplo o vírus da gripe). Transmite-se sim, através do contacto direto ou indireto de fluidos contaminados com as mucosas ou lesões cutâneas. Deste modo, o contágio requer obrigatoriamente o contacto com fluidos contaminados (por exemplo suor, saliva, fezes, vómito ou sangue), de modo direto (contacto direto com os fluidos) ou indireto (contacto por exemplo, com lençóis ou superfícies contendo fluídos contaminados), sendo ainda necessário que estes acedam a uma porta de entrada, sejam mucosas (olhos, boca, mucosa genital) ou lesões cutâneas (feridas). O contágio é feito por doentes (só em fase ativa da doença), cadáveres e sémen de antigos doentes (durante um período de 3 meses). Para além deste tipo de contágio, existem ainda os animais selvagens (macacos e antílopes, por exemplo) que podem transmitir a doença ao servirem de alimento ou quando mordem o ser humano e acredita-se (embora sem comprovação) que o morcego será o reservatório da doença, ou seja, aquele que a transporta sem adoecer.

Os sintomas da doença aparecem habitualmente entre 8 a 10 dias após contágio, podendo no entanto ocorrer nos 2 a 21 dias subsequentes. Só nesta fase é que o doente poderá transmitir a doença a outras pessoas. Os sintomas iniciais semelhantes a uma gripe (dor de cabeça, febre), rapidamente evoluem para uma situação complicada, apresentando diarreia, vómitos, falta de apetite e inflamação da garganta. Em 50% dos doentes surge ainda o exantema maculopapular, uma alteração cutânea marcada por vermelhidão local através de pequenas pápulas, como ocorre por exemplo no sarampo.

De 5 a 7 dias após a ocorrência dos primeiros sintomas, alguns doentes poderão experienciar o agravamento da situação com a entrada na fase hemorrágica da doença. Esta fase caracteriza-se por hemorragias externas ou internas, podendo levar a falência multiorgânica resultando, em último caso, na morte do doente.

 

O combate à epidemia

A situação que os países atravessam de momento mantém-se dramática. A ação inicial foi mais uma vez negligente, irresponsável por parte dos países mais desenvolvidos, mantendo o assunto na gaveta por ser mais uma epidemia de risco inócuo para os seus territórios. Ter-se-ão enganado? Para já não se enganaram, uma vez que os casos notificados são importados e não autóctones, mas já se assustaram o suficiente para desbloquear a atenção, meios e fundos ao combate à epidemia nos países onde cresce de dia para dia.

Não existe tratamento antiviral específico para a doença, com exceção dos soros experimentais que utilizam anticorpos desenvolvidos por sobreviventes da doença. No entanto, para além da sua disponibilidade reduzida, este tipo de tratamento mantém-se relativamente pouco estudado, desconhecendo a sua efetividade através de ensaios clínicos.

O tratamento da doença visa apenas, e não mais, combater os sinais e sintomas que vão surgindo ao longo da sua evolução. Manter um bom aporte de líquidos por via endovenosa, um bom equilíbrio de eletrólitos, bons níveis de oxigénio e uma pressão arterial estável, são um conjunto de boas medidas que devem ser desde o início atendidas, com vista à melhor probabilidade de sobrevivência do doente.

As vacinas desenvolvidas ainda não estão completamente testadas, não se sabendo ainda se irão ou não resultar. Apesar de duas vacinas distintas estarem num caminho promissor para a resolução do problema, desconhece-se se chegarão a bom porto bem como quando estarão efetivamente disponíveis para vacinações em massa, nos povos afetados pela doença.  

É por isso que o combate à doença está longe de terminar, desconhecendo-se o eventual desfecho que terá. De acordo com a base de dados Financial Tracking System, o financiamento internacional disponibilizado até ao momento para o combate à epidemia permite cobrir apenas 41% das necessidades identificadas. Para além da disponibilidade de serviços de saúde específicos para o tratamento do ébola, outros setores terão de providenciar resposta para que se consiga inverter a mortalidade observada. Os setores alimentar e de água, saneamento e higiene desempenham também um papel importante no combate ao ébola.

A alimentação visa o bom aporte nutricional a uma população que apresenta per si níveis de desnutrição crónica acentuada. A nutrição representa uma transversalidade entre saúde e doença, ou seja se é verdade que uma pessoa desnutrida está muito mais suscetível a doenças infeciosas, bem como aos próprios efeitos adversos da doença, o inverso também se observa pelo que garantido melhor aporte nutricional às populações afetadas, obter-se-á uma melhor proteção natural e consequente aumento de sobrevivência à doença.

A água e saneamento por sua vez trabalha aspetos de transmissão da doença. É sabido desde o início da saúde pública, que o saneamento do meio representa uma peça fundamental quando se aborda qualquer doença transmissível.

Países com fragilidades severas nos sistemas de água e saneamento do meio, tais como enfrenta a Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, são fatores que levantam por si o risco de contágio dentro do agregado familiar e própria comunidade. O Banco Mundial estima que o acesso a latrinas ou outras estruturas sanitárias melhoradas localiza-se entre os 13-19% nos países em questão e o acesso a água potável varia entre os 60-75%. A defecação ao ar livre, a utilização de águas contaminadas por possíveis fluidos de doentes e a própria aplicação de rituais fúnebres com práticas de risco, tais como lavar com as mãos os cadáveres dos entes queridos, surgem como potenciadores extremos do contágio.

Há assim, que assegurar um meio ambiente mais seguro, garantindo às populações afetadas um melhor e maior acesso a água potável, bem como incidir em práticas de prevenção da doença, com adesão populacional.

A doença por vírus ébola passou de uma doença desconhecida e ignorada, a uma doença preocupante e que é urgente conhecer e combater melhor. As mortes trágicas contabilizadas até ao momento poderiam ter sido evitadas, na sua maioria, se tivesse havido por parte da comunidade internacional uma resposta atempada, adequada e à escala necessária para um controlo inicial da epidemia.

O futuro parece promissor na inversão da tendência de descontrolo epidemiológico da doença, no entanto torna-se necessário que o compromisso internacional se traduza nas ações necessárias, não se mantendo apenas nas intenções e no labirinto dos entraves burocráticos.

 

 

 

 



publicado por AMI às 17:24
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014
23º Peditório da AMI arranca amanhã em todo o país

 

Inserido na campanha SOS Família, sob o lema “Sobreviver não é maneira de viver”, a AMI realiza a partir de amanhã e até ao próximo domingo, o 23º peditório.

 

Centenas de colaboradores e voluntários da AMI vão apelar à solidariedade dos portugueses, com o objetivo de angariar fundos para as famílias mais carenciadas apoiadas pela AMI em Portugal.

 

A ação social da AMI prevê, até ao final deste ano, apoiar um total de 25.500 pessoas, entre o acompanhamento direto prestado pelos equipamentos e respostas sociais (8398 pessoas apoiadas no primeiro semestre) e a distribuição alimentar realizada através do Fundo Europeu de Auxílio a Carenciados. Em média, os equipamentos sociais da AMI apoiaram todos os meses 3.474 pessoas, entre as quais 278 novos casos de pobreza.

 

A AMI relembra ainda que o Peditório realiza-se na rua e em espaços comerciais por voluntários credenciados, não sendo permitidos quaisquer pedidos “porta a porta”.

 

Existe a possibilidade doar através do Multibanco: Transferências> Ser Solidário> AMI e online em www.loja.ami.org.pt.


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publicado por AMI às 11:01
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