Terça-feira, 18 de Novembro de 2014
Este País Não é Para Novos

01 Este país não é para novos - Alfredo Cunha.j

01 Este país não é para novos - Alfredo Cunha.j

 

No dia Mundial da População, 11 de julho, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou publicamente uma interessante análise da população em Portugal. Este documento revelou alguns dados preocupantes que antecipam de forma muito clara novos desafios para as Organizações Não Governamentais (ONG) que trabalham com idosos, para os governantes e sociedade em geral. Segundo o INE, “associada ao decréscimo populacional é expectável que nos próximos anos se aprofundem as alterações da estrutura etária da população em resultado da combinação do decréscimo da população jovem e do aumento da população idosa, com o agravamento do envelhecimento populacional”. Ou seja, Portugal será um país com menos população e mais envelhecido. Das 10,5 milhões de pessoas residentes em Portugal no ano passado passaremos para apenas 8,6 milhões em 2060. A tendência mundial é precisamente a inversa. O nosso planeta nunca cresceu tanto em termos populacionais. A população prepara-se para bater novos recordes. A Divisão de População das Nações Unidas aponta como cenário provável passarmos dos 7,2 mil milhões, em 2013, para 9,6 mil milhões em 2050.

Voltando a Portugal, o índice de envelhecimento apresenta um crescimento imparável: em 2001 tínhamos 100 jovens por 102 idosos, no ano passado os idosos passaram para 136 e em 2060 atingirão o valor de 300 por cada 100 jovens. Os maiores de 65 anos serão 35% da população total, enquanto, no sentido inverso, a população com menos de 15 anos diminuirá até 12%. O cenário baixo, mais pessimista, aponta mesmo valores ainda mais preocupantes, um Portugal com 43% de idosos e apenas 9% de crianças com menos de 15 anos.

Estes dados antecipam um futuro com novos desafios na área do apoio social aos idosos. Com acentuado envelhecimento populacional, será expectável assistirmos a um crescimento de situações de solidão e isolamento, necessidades dramáticas de cuidados continuados e especiais que poderão ficar sem resposta.

02 - Este país nao é para novos - Alfredo Cunha.

 

Se atualmente encontrar uma cama num lar com condições dignas e a um valor acessível é uma tarefa hercúlea, quase impossível para a grande maioria da população, num futuro próximo será um luxo apenas acessível a uma minoria de fartos recursos económicos. Poderemos mesmo assistir a um aumento exponencial de exclusão social de pessoas idosas e necessitadas de cuidados médicos. É provável que nas próximas décadas a procura de lares, apoios domiciliários e outros serviços seja bastante superior à oferta o que inflacionará os preços para valores próximos do absurdo. Por outro lado, observa-se uma fuga de enfermeiros sem precedente e a uma carência de médicos e voluntários, enquanto se multiplicam os seguros e soluções de saúde privadas para quem tem possibilidades.

É imperativo que as instituições de apoio social aos mais idosos comecem já a concertar esforços, construir infraestruturas, desenvolver parcerias, sob pena de Portugal vir a enfrentar uma tragédia nunca vista ao nível dos cuidados com idosos. A melhor forma dos jovens e adultos prepararem hoje o seu próprio futuro é tratarem desde já dos idosos como o carinho, respeito e dignidade a que têm direito.

Há mais de duas décadas que a AMI tem vindo a apoiar a população sénior. Primeiro nos centros Porta Amiga, depois com o Apoio Domiciliário e finalmente através de diversas atividades formativas e lúdicas como os Espaços de Prevenção à Exclusão Social.

 

Fotografias: Alfredo Cunha

 

 



publicado por AMI às 15:43
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014
Crises esquecidas: O papel das ONG

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 A crise financeira que faz tremer o mundo, e a Europa de forma particular, desde 2008, teve como efeito colateral que o único tema mediático tenha passado a ser as finanças públicas. Mesmo os subtemas associados: economia; desemprego; pobreza, passaram para um plano secundário.

Temas como o ambiente, que deveriam ser intemporais, sobretudo pelo impacto que têm na saúde pública, ficaram a viver na sombra. Os últimos 6 anos foram, por este motivo, de enorme oportunismo para indústrias e governos que desenvolvem atividades destrutivas em termos ambientais. Em alguns casos, a crise financeira foi mesmo instrumentalizada no sentido de justificar investimentos que em outros períodos teriam sido alvo de enorme contestação. Em nome da criação de riqueza, quase tudo foi permitido.

As ONG foram talvez a única força capaz de travar, ou pelo menos desacelerar, o sentido orquestrado pela macro finança global, em conluio com estados corruptos de países subdesenvolvidos e com estados falidos de países desenvolvidos. E fizeram-no bem. A eficácia das ONG globais melhorou com a sua profissionalização e com a aposta ganha na promoção da cidadania ativa. Hoje, as maiores ONG do mundo são forças de poder, também financeiro mas sobretudo mediático, capazes de desafiar e enfrentar corporações e estados. Com ordens de grandeza de milhões de cidadãos subscritores e de milhares de milhões de euros de orçamento anual, são hoje talvez a última fonte de esperança de que o mundo venha a ser um dia um lugar vocacionado para quem o habita: os cidadãos.

 

Luís Lucas, Diretor do Departamento de Ambiente.


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publicado por AMI às 16:08
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014
19ª Campanha de Reciclagem de Radiografias arranca amanhã

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A AMI lança amanhã, 11 de Novembro, a 19ª Campanha de Reciclagem de Radiografias. Até ao dia 2 de Dezembro, vai ser possível entregar nas farmácias do país, as radiografias com mais de cinco anos ou sem valor de diagnóstico.

As radiografias serão posteriormente recicladas, evitando-se assim o seu envio para o lixo. A venda da prata extraída permitirá à AMI gerar financiamento para fazer face ao constante aumento dos pedidos de apoio social.

Este projeto permite angariar fundos equivalentes ao financiamento de um centro social da AMI para apoio aos mais desfavorecidos. No ano passado, foi possível duplicar este valor graças à entrega de radiografias por parte de hospitais e centros de saúde de todo o país.

Este ano, a AMI volta a apostar nesta iniciativa como uma das suas fontes de angariação estratégicas, demonstrando que, independentemente das dificuldades financeiras de cada um, todos podem contribuir sem custo.



publicado por AMI às 15:02
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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014
Ébola - Falemos claro!

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 Foto: Alfredo Cunha

 

As origens do Ébola…

 

Foi em Yambuku, próximo do rio Ébola na República Democrática do Congo (RDC), então Zaire, que a 1 de setembro de 1976 foi identificado pela primeira vez o vírus do ébola e que em simultâneo surgia no país vizinho, Sudão.

Esta primeira epidemia de doença por vírus Ébola (então designada de febre hemorrágica por ébola) provocou 431 mortos em 602 casos, despertando a comunidade científica para uma nova ameaça para a saúde pública, com contornos francamente desconhecidos e com taxas de letalidade preocupantemente elevadas (88% no Zaire).

Este alarme inicial não despertou interesse político dos países de alto ou médio rendimento, uma vez que a doença estaria confinada aos países mais pobres, sem qualquer indício de que a doença se viria a propagar além-fronteiras. Foi assim relegado ao esquecimento, não se promovendo o mínimo esforço na investigação da doença e meios de tratamento adequados, por falta de rentabilidade do investimento necessário.

Foram identificados entretanto e até ao momento 5 subtipos do vírus ébola: Ébola ou (Zaire), Sudão, Bundibugyo, Reston e Taï Forest, sendo que os três primeiros e particularmente os subtipos Ébola (Zaire) e Sudão, são os que apresentam maior preocupação dado o seu historial epidémico, com elevada mortalidade associada.

A epidemia atual deve-se ao subtipo Ébola, o primeiro a ser identificado e que, desde a sua descoberta e sem contabilizar os dados da epidemia atual, já foi responsável segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), por 1445 casos dos quais resultaram 1086 mortes (letalidade de 75%). Segundo a mesma fonte, no dia 27 de outubro de 2014, a epidemia atual já ultrapassava toda a sua carga histórica, com notificações acima de 13676 casos, 4910 mortos, espalhados pela Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria. Outros países já notificaram casos, no entanto em quantidade reduzida e na sua maioria, casos importados (Nigéria, Senegal, EUA e Espanha).

 

A doença manteve-se relativamente desconhecida do público em geral até ao ano de 1995 quando, após nova epidemia no Zaire, com taxa de letalidade superior a 80% e responsável por pelo menos 254 mortes confirmadas, foi realizada uma adaptação da doença às peliculas de Hollywood, através do filme “fora de controlo” inspirado pelo vírus do ébola, introduzindo também conceitos da doença puramente provenientes da ficção científica.

 

Como se transmite?

O ébola não se transmite pelo ar (como por exemplo o vírus da gripe). Transmite-se sim, através do contacto direto ou indireto de fluidos contaminados com as mucosas ou lesões cutâneas. Deste modo, o contágio requer obrigatoriamente o contacto com fluidos contaminados (por exemplo suor, saliva, fezes, vómito ou sangue), de modo direto (contacto direto com os fluidos) ou indireto (contacto por exemplo, com lençóis ou superfícies contendo fluídos contaminados), sendo ainda necessário que estes acedam a uma porta de entrada, sejam mucosas (olhos, boca, mucosa genital) ou lesões cutâneas (feridas). O contágio é feito por doentes (só em fase ativa da doença), cadáveres e sémen de antigos doentes (durante um período de 3 meses). Para além deste tipo de contágio, existem ainda os animais selvagens (macacos e antílopes, por exemplo) que podem transmitir a doença ao servirem de alimento ou quando mordem o ser humano e acredita-se (embora sem comprovação) que o morcego será o reservatório da doença, ou seja, aquele que a transporta sem adoecer.

Os sintomas da doença aparecem habitualmente entre 8 a 10 dias após contágio, podendo no entanto ocorrer nos 2 a 21 dias subsequentes. Só nesta fase é que o doente poderá transmitir a doença a outras pessoas. Os sintomas iniciais semelhantes a uma gripe (dor de cabeça, febre), rapidamente evoluem para uma situação complicada, apresentando diarreia, vómitos, falta de apetite e inflamação da garganta. Em 50% dos doentes surge ainda o exantema maculopapular, uma alteração cutânea marcada por vermelhidão local através de pequenas pápulas, como ocorre por exemplo no sarampo.

De 5 a 7 dias após a ocorrência dos primeiros sintomas, alguns doentes poderão experienciar o agravamento da situação com a entrada na fase hemorrágica da doença. Esta fase caracteriza-se por hemorragias externas ou internas, podendo levar a falência multiorgânica resultando, em último caso, na morte do doente.

 

O combate à epidemia

A situação que os países atravessam de momento mantém-se dramática. A ação inicial foi mais uma vez negligente, irresponsável por parte dos países mais desenvolvidos, mantendo o assunto na gaveta por ser mais uma epidemia de risco inócuo para os seus territórios. Ter-se-ão enganado? Para já não se enganaram, uma vez que os casos notificados são importados e não autóctones, mas já se assustaram o suficiente para desbloquear a atenção, meios e fundos ao combate à epidemia nos países onde cresce de dia para dia.

Não existe tratamento antiviral específico para a doença, com exceção dos soros experimentais que utilizam anticorpos desenvolvidos por sobreviventes da doença. No entanto, para além da sua disponibilidade reduzida, este tipo de tratamento mantém-se relativamente pouco estudado, desconhecendo a sua efetividade através de ensaios clínicos.

O tratamento da doença visa apenas, e não mais, combater os sinais e sintomas que vão surgindo ao longo da sua evolução. Manter um bom aporte de líquidos por via endovenosa, um bom equilíbrio de eletrólitos, bons níveis de oxigénio e uma pressão arterial estável, são um conjunto de boas medidas que devem ser desde o início atendidas, com vista à melhor probabilidade de sobrevivência do doente.

As vacinas desenvolvidas ainda não estão completamente testadas, não se sabendo ainda se irão ou não resultar. Apesar de duas vacinas distintas estarem num caminho promissor para a resolução do problema, desconhece-se se chegarão a bom porto bem como quando estarão efetivamente disponíveis para vacinações em massa, nos povos afetados pela doença.  

É por isso que o combate à doença está longe de terminar, desconhecendo-se o eventual desfecho que terá. De acordo com a base de dados Financial Tracking System, o financiamento internacional disponibilizado até ao momento para o combate à epidemia permite cobrir apenas 41% das necessidades identificadas. Para além da disponibilidade de serviços de saúde específicos para o tratamento do ébola, outros setores terão de providenciar resposta para que se consiga inverter a mortalidade observada. Os setores alimentar e de água, saneamento e higiene desempenham também um papel importante no combate ao ébola.

A alimentação visa o bom aporte nutricional a uma população que apresenta per si níveis de desnutrição crónica acentuada. A nutrição representa uma transversalidade entre saúde e doença, ou seja se é verdade que uma pessoa desnutrida está muito mais suscetível a doenças infeciosas, bem como aos próprios efeitos adversos da doença, o inverso também se observa pelo que garantido melhor aporte nutricional às populações afetadas, obter-se-á uma melhor proteção natural e consequente aumento de sobrevivência à doença.

A água e saneamento por sua vez trabalha aspetos de transmissão da doença. É sabido desde o início da saúde pública, que o saneamento do meio representa uma peça fundamental quando se aborda qualquer doença transmissível.

Países com fragilidades severas nos sistemas de água e saneamento do meio, tais como enfrenta a Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, são fatores que levantam por si o risco de contágio dentro do agregado familiar e própria comunidade. O Banco Mundial estima que o acesso a latrinas ou outras estruturas sanitárias melhoradas localiza-se entre os 13-19% nos países em questão e o acesso a água potável varia entre os 60-75%. A defecação ao ar livre, a utilização de águas contaminadas por possíveis fluidos de doentes e a própria aplicação de rituais fúnebres com práticas de risco, tais como lavar com as mãos os cadáveres dos entes queridos, surgem como potenciadores extremos do contágio.

Há assim, que assegurar um meio ambiente mais seguro, garantindo às populações afetadas um melhor e maior acesso a água potável, bem como incidir em práticas de prevenção da doença, com adesão populacional.

A doença por vírus ébola passou de uma doença desconhecida e ignorada, a uma doença preocupante e que é urgente conhecer e combater melhor. As mortes trágicas contabilizadas até ao momento poderiam ter sido evitadas, na sua maioria, se tivesse havido por parte da comunidade internacional uma resposta atempada, adequada e à escala necessária para um controlo inicial da epidemia.

O futuro parece promissor na inversão da tendência de descontrolo epidemiológico da doença, no entanto torna-se necessário que o compromisso internacional se traduza nas ações necessárias, não se mantendo apenas nas intenções e no labirinto dos entraves burocráticos.

 

 

 

 



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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014
23º Peditório da AMI arranca amanhã em todo o país

 

Inserido na campanha SOS Família, sob o lema “Sobreviver não é maneira de viver”, a AMI realiza a partir de amanhã e até ao próximo domingo, o 23º peditório.

 

Centenas de colaboradores e voluntários da AMI vão apelar à solidariedade dos portugueses, com o objetivo de angariar fundos para as famílias mais carenciadas apoiadas pela AMI em Portugal.

 

A ação social da AMI prevê, até ao final deste ano, apoiar um total de 25.500 pessoas, entre o acompanhamento direto prestado pelos equipamentos e respostas sociais (8398 pessoas apoiadas no primeiro semestre) e a distribuição alimentar realizada através do Fundo Europeu de Auxílio a Carenciados. Em média, os equipamentos sociais da AMI apoiaram todos os meses 3.474 pessoas, entre as quais 278 novos casos de pobreza.

 

A AMI relembra ainda que o Peditório realiza-se na rua e em espaços comerciais por voluntários credenciados, não sendo permitidos quaisquer pedidos “porta a porta”.

 

Existe a possibilidade doar através do Multibanco: Transferências> Ser Solidário> AMI e online em www.loja.ami.org.pt.


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publicado por AMI às 11:01
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014
II Conferência AMI/Global Compact Network Portugal: "Uma Economia Verde num Mundo Azul"

 

Um tema central para Portugal e para o Mundo.” Foi assim que Fernando Nobre, presidente da Fundação AMI, começou por justificar a realização da segunda Conferência AMI/Global Compact Network Portugal.

O auditório Almada Negreiros, no Porto de Lisboa, foi o palco para a reflexão que juntou políticos, académicos, empresários e organizações da sociedade civil para debater a proteção ambiental, mas também novas soluções tecnológicas e projectos que possam desenvolver-se no mar.

Com uma vista privilegiada sobre o Rio Tejo, Fernando Nobre, na abertura da Conferência, referiu que a história de Portugal está indelevelmente relacionada com o mar e que, nas últimas décadas, não dedicámos a atenção que devíamos ao nosso mar, preferindo apostar em outros investimentos não-reprodutivos.  

O segundo orador foi o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva. Felicitando a Fundação AMI pela iniciativa, reforçou a centralidade desta temática, sustentando que a aposta no crescimento verde é um importante pilar económico, assistindo-se a sinais de agravamento ambiental mundial e a uma pressão demográfica crescente, sobretudo nos países em desenvolvimento. No caso concreto de Portugal, confrontamo-nos com o problema estrutural da perda de água e com uma dependência energética do exterior que ainda ronda os 71,5%.

Jorge Moreira da Silva explicou que este é um domínio em que Portugal possui talentos, infra-estruturas e experiência, devendo ser um desígnio nacional que vá para além das divergências entre partidos políticos e correntes ideológicas. Reafirmou ainda que esta é uma das áreas em que a estabilidade das políticas públicas é mais necessária.

Antes da “mesa-redonda” ter início, foi a vez de Helena Vieira tomar a palavra. Professora convidada na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Helena Vieira aludiu à plataforma continental Portuguesa, a maior da Europa e uma das maiores do Mundo. Apresentou igualmente alguns dados estatísticos relevantes: 2,5% do PIB português está relacionado com o Mar e, aproximadamente, 2% do emprego no nosso país gira em torno deste setor.

Pretendendo a Conferência reflectir sobre os novos paradigmas ambientais, que tocam não só as energias renováveis e o potencial económico dos oceanos (em particular da plataforma continental portuguesa), assim como as diversas sinergias e boas práticas emergentes entre Estados, sociedade civil e tecido empresarial, houve lugar também para um debate.

Os vários participantes deixaram ideias importantes do que já se faz e do que se deve fazer nos tempos vindouros. Aldino Santos Campos, responsável da estrutura de missão para a extensão da plataforma continental, salientou a importância de criar condições que levem as pessoas a trabalhar no mar, uma vez que esta actividade não se traduz em resultados visíveis no curto e médio prazo. Luís Gato, professor regente da cadeira de Energias Renováveis no Instituto Superior Técnico, defendeu o desenvolvimento da criatividade, logo ao nível do ensino básico e secundário (na esteira da tradição anglo-saxónica). Nuno Sequeira, Presidente da Quercus, recuperou uma ideia que já havia sido transmitida pelo ministro Jorge Moreira da Silva: é imperioso nas áreas do ambiente e do mar manter uma perenidade de políticas, que vá para além dos ciclos governativos.

Destaque também mereceu a apresentação de uma boa prática ambiental relacionada com o tema. Da vontade de alterar percepções, atitudes e acções relativamente à poluição, nasceu a Ocean Sole Foundation. Foi posta de pé, no Quénia, pela bióloga marinha Julie Church, que veio a Lisboa apresentar o seu projeto, uma solução simples que resolveu um problema ambiental nas praias daquele país. A ideia inovadora de reciclar o plástico e a borracha que poluem as praias, tornou-se o sustento de populações muito pobres do litoral do Quénia que recolhem o lixo e aproveitam alguns materiais para fazer peças de decoração (sobretudo, representações de animais africanos) de várias dimensões que já são exportadas.

No término da segunda Conferência AMI/Global Compact Network Portugal, houve ainda lugar para dois interlocutores do UN Global Compact tomaram a palavra. A nível nacional, Mário Parra da Silva, responsável máximo desde 2009 e também presidente da Associação Portuguesa de Ética Empresarial, referiu que a rede em Portugal conta já com 70 participantes. Visando uma ligação mais profunda entre “ação” e “critério de ação”, Mário Parra da Silva salientou que o UN Global Compact procura tornar “as empresas, sujeito e não objecto” e “que o sector empresarial tem que participar numa solução holística, global”. Sobre a escolha do tema “uma economia verde num mundo azul”, justificou-a com as alterações climáticas já vividas, que colocam em causa a sustentabilidade do actual modelo de desenvolvimento. A nível internacional, Steve Kenzie, representante da Global Compact Network do Reino Unido e Deputy Chair do Local Networks Advisory Group do UN Global Compact, explanou a arquitetura, os princípios e a acção levada a cabo por esta rede das Nações Unidas.

No final de uma proveitosa manhã de debate, saiu claramente reforçada a ideia, nas palavras da secretária-geral da Fundação AMI Luísa Nemésio, que “o mar não é só pesca e turismo, é muito mais do que isso”.

 

 



publicado por AMI às 15:29
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014
3ª edição do Saco Solidário

Começa hoje a terceira edição da campanha Saco Solidário, realizada pela AMI em parceria com a Kelly Services. O objetivo é angariar, junto dos parceiros e colaboradores desta empresa, o máximo de donativos em bens alimentares e de higiene que encham 3000 sacos solidários que a AMI distribuirá pelos seus beneficiários. No ano passado, esta iniciativa permitiu angariar 6435 kg de bens e ajudar 7455 beneficiários da AMI.

 

 

 



publicado por AMI às 18:30
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2014
II Conferência AMI/Global Compact Network Portugal

 

O Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, preside à sessão de abertura da Conferência “Uma economia verde num mundo azul”, esta sexta-feira de manhã, em Lisboa, organizada pela Fundação AMI em parceria com a Global Compact Network Portugal.

Esta iniciativa pretende refletir sobre os novos paradigmas ambientais, que tocam não só as energias renováveis e o potencial económico dos oceanos (em particular da plataforma continental portuguesa), como também as diversas sinergias e boas práticas emergentes entre Estados, sociedade civil e tecido empresarial.

A conferência conta ainda com a participação de Fernando Nobre, Presidente da Fundação AMI e Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Helena Vieira, Marine Biotech Expert e professora convidada da FCUL, Aldino Santos Campos, responsável da estrutura de missão para a extensão da plataforma continental; Luís Gato, professor regente da cadeira de Energias Renováveis no Instituto Superior Técnico, Nuno Lacasta, Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Sequeira, Presidente da Quercus, Julie Church, Fundadora da Ocean Sole, Mário Parra da Silva, network representative da Global Compact Network Portugal, e Steve Kenzie, representante da Global Compact Network do Reino Unido e Deputy Chair do Local Networks Advisory Group do UN Global Compact.

O tema da conferência surge na sequência do relatório “Uma Economia Verde num Mundo Azul”, publicado em 2012 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que realça as potencialidades sociais e económicas dos ecossistemas marinhos, na medida em que se considera que a saúde ecológica desses ecossistemas pode ser aperfeiçoada através da produção de energias renováveis, da promoção do ecoturismo, de uma pesca sustentável, da utilização de transportes de eficiência energética e da regulação de fertilizantes.

O relatório defende, ainda, que essas medidas podem ajudar a aumentar a produtividade económica dos países e a satisfazer as necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras. Isto, numa altura em que Portugal aguarda a decisão da ONU sobre a sua proposta de alargamento da área sob jurisdição das 200 milhas marítimas (correspondente à atual Zona Económica Exclusiva), para uma área de 2.100.000 km2, podendo estender a jurisdição nacional a caminho dos 4.000.000 km2, cerca de 40 vezes a sua área terrestre.

A conferência “Uma economia verde num mundo azul” decorre esta sexta-feira, dia 26, às 09h00 no auditório Almada Negreiros, nas Docas de Alcântara.



publicado por AMI às 17:16
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014
AMI distribui material escolar a mais de 3600 crianças

Pelo sexto ano consecutivo, a AMI responde a uma das maiores dificuldades das famílias portuguesas mais carenciadas neste reinício de ano escolar, distribuindo mochilas com material às mais de 3600 crianças e jovens que apoia nos seus equipamentos sociais.

 

 

Nos últimos dias de agosto, os supermercados Jumbo/Auchan desenvolveram a Campanha Solidariedade Escolar a Dobrar em parceria com a AMI, convidando os clientes desta rede de supermercados a adquirir vales de material escolar com vista à constituição de mochilas devidamente apetrechadas.

A explicação para os excelentes resultados alcançados está sem dúvida na postura de verdadeira responsabilidade social da empresa que fornece o dobro do material correspondente ao valor doado pelos clientes, tendo sido assim possível reunir mais de 150 mil euros em material escolar. Um valor que permitiu construir 3658 mochilas completamente equipadas, de blocos a marcadores, passando por canetas, réguas ou compassos.

 

Para todo este trabalho de montagem, foram mobilizados centenas de voluntários da AMI e Auchan num espaço solicitado ao Estado Maior General das Forças Armadas e cedido pelo Regimento de Transportes do Exército Português, em Lisboa.

Desde 2009, ano de arranque da campanha, esta iniciativa já permitiu angariar mais de 650 mil euros e constituir 17.984 kits de material escolar.



publicado por AMI às 09:52
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014
Balanço de 10 anos pós Tsunami no Sri Lanka

No dia 26 de dezembro de 2004, vários sismos seguidos de Tsunami ocorreram no sudeste asiático, com um efeito devastador em 11 países do Oceano Índico, causando centenas de milhares de mortos, desaparecidos, deslocados e sem abrigo.

O Sri Lanka foi um dos países mais afetados por esta tragédia, tendo o seu Governo declarado estado de emergência e lançado um pedido de auxílio internacional. No final de janeiro, contabilizavam-se cerca de 300.000 mortos em todo o sudeste asiático, 40.000 destes no Sri Lanka. Neste país, registaram-se ainda quase 5.700 desaparecidos, 15.200 feridos e 41.300 famílias (cerca de 168.000 pessoas) alojadas em campos de deslocados.

Rapidamente, a AMI decidiu intervir no Sri Lanka, não só porque foi um dos países mais afetados como também por ser um dos mais pobres.

Em 28 de dezembro de 2004 partiram para o terreno o Dr. Fernando Nobre, Presidente da AMI, e o Dr. José Luís Nobre, Administrador e Diretor do Departamento Logístico, com o objetivo de realizar uma missão exploratória para preparar a chegada da equipa expatriada.

No dia seguinte, 29 de dezembro, partiram 8 voluntários num avião fretado pela AMI, onde foram também enviadas 10 toneladas de alimentos, equipamentos e outros bens de ajuda humanitária.

Com a maior parte das estradas cortadas, a equipa exploratória procedeu ao aluguer de dois jeeps para transporte da equipa para Galle e Kalutara, cerca de 120 km a Sul de Colombo. Depois de um processo moroso de perto de 12 horas, as dez toneladas de bens de ajuda humanitária que a AMI enviou foram distribuídas aos deslocados a partir do dia seguinte ao desalfandegamento dos mesmos.

Instalada no Sul do Sri-Lanka, a equipa começou a operar em pleno, prestando apoio a campos de deslocados num raio de 30 km de Beruwala, em Sathgama.

Entretanto, em Portugal, foi impressionante a mobilização da sociedade civil (Amigos da AMI, entidades públicas e privadas) para ajudar no apoio às vítimas. Desde o dia 27 de dezembro de 2004 e durante as primeiras semanas de janeiro de 2005, não pararam de chegar chamadas telefónicas para a sede da AMI, de pessoas e empresas oferecendo ajuda financeira, donativos em espécie, apoio logístico, ajuda em serviços e voluntariado.

A AMI angariou 2.786.661,79€ até julho de 2005, um montante que permitiu manter uma equipa expatriada no Sri Lanka até janeiro de 2006. Esta generosidade levou a que, paralelamente à missão médico-sanitária de emergência fossem estabelecidos contactos para preparar projetos a médio e longo prazo de reabilitação de estruturas médicas e sociais, tendo permitido a ajuda da AMI manter-se por mais 10 anos através de projetos em parceria com organizações locais.

Mais informações sobre os projetos da AMI no Sri Lanka no link: http://www.ami.org.pt/default.asp?id=p1p7p28p135&l=1



publicado por AMI às 11:19
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