Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

AMI - Age, Muda, Integra

AMI permanece no Haiti

Já passaram 6 meses sobre o terramoto ocorrido a 12 de Janeiro na capital do Haiti e situação no terreno continua muito complicada. Para além do número trágico de mortos e feridos contabilizados e sobre os quais se centraram as atenções iniciais, surgiram, numa fase imediatamente posterior, novas preocupações, sendo uma das principais a definição do destino de toda a população afectada pelo terramoto. A destruição maciça de grande parte das habitações levou a que mais de 2 milhões de pessoas (um quarto da população total do país) ficasse desprovido de abrigo seguro e de meios de subsistência.
 


Os objectivos traçados pela Fundação AMI foram, desde o início, claros e dirigidos: avaliar com a maior rapidez possível a realidade no terreno de modo a delinear um projecto de intervenção articulado com as estratégias da comunidade internacional e das autoridades locais e permitir simultaneamente que a intervenção se iniciasse com a maior celeridade possível através do envio urgente de recursos humanos e logísticos.

Após a fase de primeira emergência, que teve uma duração de pouco mais de um mês, surgiu a fase de segunda emergência. Se na primeira, a ideia-chave era salvar vidas em perigo por influência imediata e directa da catástrofe, nesta segunda fase a preocupação central é estabilizar e conter os danos provocados pelo acontecimento.

Foi nesse contexto que a AMI estabeleceu com o Ministério da Administração Interna, através da Alta Autoridade para a Protecção Civil, um protocolo em que se comprometia a gerir o campo de deslocados (Parc Colofer), que a Missão do Governo Português montou no Haiti. Numa segunda fase, e já como o financiamento da Organização Internacional para as Migrações (OIM), a AMI passou a ocupar-se de mais dois: Henfrasa e o Palais de l’Art, sendo o primeiro um campo instalado e os restantes espontâneos. No seu conjunto, os três campos localizados em Porto Príncipe alojam um total de 10.000 vítimas do terramoto, forçadas à condição de deslocados internos.

Neste seu papel de Organização Coordenadora de Campos de Desalojados, a AMI apoiou-se fundamentalmente em dois pilares de acção. Por um lado, o trabalho directo com a população de deslocados. Por outro, procurar e assegurar a provisão de serviços dos vários sectores prioritários (saúde, água, alimentação, saneamento, etc.) junto do dos diferentes actores humanitários no terreno, colaborando activamente para isso com instituições como o Ministério do Interior do Haiti e diversas agências das Nações Unidas, como por exemplo, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH).

Para além desta intervenção, e ainda no âmbito do projecto de coordenação de campos de deslocados, a AMI conta com uma equipa de dois enfermeiros voluntários locais e onze activistas comunitários seleccionados entre a população de deslocados, para a realização de actividades de sensibilização para a correcta utilização e manutenção das estruturas criadas nos campos e que trazem entre vários benefícios, os indispensáveis ganhos em saúde. Até ao momento, já foram realizadas 15 sessões de sensibilização nos campos de deslocados, incidindo principalmente sobre os temas de higiene pessoal e comunitária e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis. Mais de 3800 beneficiários foram abrangidos por esta iniciativa.

Outra área de intervenção prioritária para a AMI é a prestação de cuidados de saúde à população de deslocados. Desde o início da sua missão no Haiti, a AMI mantém em funcionamento uma clínica móvel com uma equipa de voluntários expatriados Médicos e Enfermeiros, bem como Enfermeiros locais, garantindo à população de deslocados e comunidades adjacentes aos campos o acesso a cuidados de saúde.

Até à data, mais de 1600 pessoas tiveram acesso a medicamentos e vacinas distribuídos pela AMI, tendo a equipa médica da AMI realizado mais de 3700 consultas e mais de meio milhar de actos de enfermagem.

Se até ao terramoto de 12 de Janeiro, a dura realidade no Haiti era desconhecida de muitos – é um dos mais pobres país do Hemisfério Ocidental, colocado em 149º no Índice de Desenvolvimento Humano onde são listados um total de 182 países –, actualmente muitos são os que despertaram para esta realidade, que se tornou entretanto, ainda mais preocupante.

De referir as condições de vida precárias em que as equipas da AMI tiverem que operar nestes 6 meses, alojadas em tendas expostas à intempérie. Ultimamente reportam-nos os problemas de segurança crescentes, à medida que o tempo passa e a instabilidade social se agrava.

A AMI vai, por isso, manter as suas intervenções com equipas expatriadas ao nível da clínica móvel e da gestão de campos, pelo menos, até ao final de 2011, altura em que será feita uma reavaliação das necessidades.

Em paralelo, a AMI vai continuar a apostar e a aumentar o apoio às organizações locais, através do financiamento de projectos que nos venham a ser submetidos nos próximos anos.

Estas várias intervenções no Haiti só têm sido possíveis graças ao generoso apoio da sociedade civil portuguesa, das empresas e de todos aqueles que se mobilizaram no sentido de apoiar as vítimas do sismo. Até final de Junho, a AMI angariou 1.165.693,61€.

Importantíssimo foi também o financiamento do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento para a missão de primeira emergência e o co-financiamento da OIM para a primeira fase de gestão de campos. A AMI tem já orçamentado para aplicar no Haiti em 2010, um montante de 800.000 €.