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AMI - Age, Muda, Integra

Pobreza em Portugal não pára de aumentar

Os pedidos de ajuda aos serviços sociais da Fundação AMI não param de aumentar, tendo atingido em 2011 o valor mais elevado de sempre. Dados provisórios relativos ao ano passado apontam pela primeira vez para mais de 14 mil pessoas apoiadas.

 

Se recuarmos até 2008, o total de casos atendidos pela AMI rondava os 7 mil/ano. A partir de então registou-se um aumento acelerado. Em 2009 subiu para 9.370; em 2010 para 12.380 e finalmente no ano passado o valor atingiu 14.240. Comparando o ano de 2008 com 2011, estamos perante uma subida de 85% de pessoas apoiadas.

 

A nível geográfico, no Grande Porto (Porto e Vila Nova de Gaia) a pobreza mais do que duplicou (109%) entre 2008 e 2011, enquanto na Grande Lisboa (Almada, Cascais, Chelas e Olaias) registou-se um aumento de 71%.

 

A maioria das pessoas que frequenta os serviços sociais da AMI encontra-se em idade activa. São sobretudo cidadãos de nacionalidade portuguesa com habilitações literárias, de um modo geral, baixas: o 1ºciclo ou menos.

 

Em 2011, e de acordo com o verbalizado em entrevistas de atendimento social, os principais recursos de subsistência destas pessoas são o apoio de familiares ou amigos (43%), o que sublinha o importante papel que as redes primárias de solidariedade desempenham, seguido do Rendimento Social de Inserção (28%) e dos subsídios e apoios institucionais (24%). Destaca-se que 20% desta população tem rendimentos fruto do trabalho, embora sejam insuficientes. Podemos assim concluir que nem sempre ter trabalho é garantia de não necessitar de recorrer a serviços e apoios sociais.

 

A situação profissional também tem vindo a agravar-se desde 2008. Não só o número de desempregados aumentou em 56%, como também as pessoas com trabalho precário registaram um crescimento de 43%.

 

A busca de apoio na inserção profissional aumentou 89%.

 

No que diz respeito a pessoas em situação de sem-abrigo, a população feminina tem sido particularmente atingida. Em 1999 as mulheres representavam 13% dos novos casos de sem-abrigo, tendo passado em 2008 para 22% e em 2011 para 31%, ou seja um aumento anual da ordem dos 10%. 

 

Em 2011 os serviços mais procurados na AMI continuam a ser o apoio em géneros alimentares (66%) e o apoio social (61%). Só em géneros alimentares, no âmbito do Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC), a AMI já distribuiu, desde 2002, cerca de 6.630 toneladas
de alimentos. Só no ano de 2011, foram fornecidas pela AMI mais de 1.100 toneladas em géneros alimentares, o que representa mais 716 toneladas do que em 2008.

 

Já o número de famílias apoiadas passou de 6.062 em 2008 para 6.786 em 2011, o que representa um total de 20.141 pessoas.

 

Desde 1994, ano em que abriu o primeiro centro Porta Amiga da AMI nas Olaias, até 2011, os serviços sociais da Fundação apoiaram 49.625 pessoas em situação de pobreza. Actualmente, a AMI coloca ao serviço da população mais carenciada nove centros Porta Amiga, um serviço de apoio
domiciliário, duas equipas de rua, dois abrigos nocturnos e uma Residência Social.

 

Parece-nos urgente acompanhar a evolução desta subida vertiginosa de modo a podermos entender as suas reais causas e pensarmos na melhor forma de intervir ao nível da mitigação dos danos que estas provocam nas vidas destes milhares de homens e mulheres de todas as idades, com quem e para quem a Fundação AMI trabalha.