Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

AMI - Age, Muda, Integra

Crises esquecidas: O papel das ONG

PT201031_055.jpg

 A crise financeira que faz tremer o mundo, e a Europa de forma particular, desde 2008, teve como efeito colateral que o único tema mediático tenha passado a ser as finanças públicas. Mesmo os subtemas associados: economia; desemprego; pobreza, passaram para um plano secundário.

Temas como o ambiente, que deveriam ser intemporais, sobretudo pelo impacto que têm na saúde pública, ficaram a viver na sombra. Os últimos 6 anos foram, por este motivo, de enorme oportunismo para indústrias e governos que desenvolvem atividades destrutivas em termos ambientais. Em alguns casos, a crise financeira foi mesmo instrumentalizada no sentido de justificar investimentos que em outros períodos teriam sido alvo de enorme contestação. Em nome da criação de riqueza, quase tudo foi permitido.

As ONG foram talvez a única força capaz de travar, ou pelo menos desacelerar, o sentido orquestrado pela macro finança global, em conluio com estados corruptos de países subdesenvolvidos e com estados falidos de países desenvolvidos. E fizeram-no bem. A eficácia das ONG globais melhorou com a sua profissionalização e com a aposta ganha na promoção da cidadania ativa. Hoje, as maiores ONG do mundo são forças de poder, também financeiro mas sobretudo mediático, capazes de desafiar e enfrentar corporações e estados. Com ordens de grandeza de milhões de cidadãos subscritores e de milhares de milhões de euros de orçamento anual, são hoje talvez a última fonte de esperança de que o mundo venha a ser um dia um lugar vocacionado para quem o habita: os cidadãos.

 

Luís Lucas, Diretor do Departamento de Ambiente.