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AMI - Age, Muda, Integra

Este País Não é Para Novos

01 Este país não é para novos - Alfredo Cunha.j

01 Este país não é para novos - Alfredo Cunha.j

 

No dia Mundial da População, 11 de julho, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou publicamente uma interessante análise da população em Portugal. Este documento revelou alguns dados preocupantes que antecipam de forma muito clara novos desafios para as Organizações Não Governamentais (ONG) que trabalham com idosos, para os governantes e sociedade em geral. Segundo o INE, “associada ao decréscimo populacional é expectável que nos próximos anos se aprofundem as alterações da estrutura etária da população em resultado da combinação do decréscimo da população jovem e do aumento da população idosa, com o agravamento do envelhecimento populacional”. Ou seja, Portugal será um país com menos população e mais envelhecido. Das 10,5 milhões de pessoas residentes em Portugal no ano passado passaremos para apenas 8,6 milhões em 2060. A tendência mundial é precisamente a inversa. O nosso planeta nunca cresceu tanto em termos populacionais. A população prepara-se para bater novos recordes. A Divisão de População das Nações Unidas aponta como cenário provável passarmos dos 7,2 mil milhões, em 2013, para 9,6 mil milhões em 2050.

Voltando a Portugal, o índice de envelhecimento apresenta um crescimento imparável: em 2001 tínhamos 100 jovens por 102 idosos, no ano passado os idosos passaram para 136 e em 2060 atingirão o valor de 300 por cada 100 jovens. Os maiores de 65 anos serão 35% da população total, enquanto, no sentido inverso, a população com menos de 15 anos diminuirá até 12%. O cenário baixo, mais pessimista, aponta mesmo valores ainda mais preocupantes, um Portugal com 43% de idosos e apenas 9% de crianças com menos de 15 anos.

Estes dados antecipam um futuro com novos desafios na área do apoio social aos idosos. Com acentuado envelhecimento populacional, será expectável assistirmos a um crescimento de situações de solidão e isolamento, necessidades dramáticas de cuidados continuados e especiais que poderão ficar sem resposta.

02 - Este país nao é para novos - Alfredo Cunha.

 

Se atualmente encontrar uma cama num lar com condições dignas e a um valor acessível é uma tarefa hercúlea, quase impossível para a grande maioria da população, num futuro próximo será um luxo apenas acessível a uma minoria de fartos recursos económicos. Poderemos mesmo assistir a um aumento exponencial de exclusão social de pessoas idosas e necessitadas de cuidados médicos. É provável que nas próximas décadas a procura de lares, apoios domiciliários e outros serviços seja bastante superior à oferta o que inflacionará os preços para valores próximos do absurdo. Por outro lado, observa-se uma fuga de enfermeiros sem precedente e a uma carência de médicos e voluntários, enquanto se multiplicam os seguros e soluções de saúde privadas para quem tem possibilidades.

É imperativo que as instituições de apoio social aos mais idosos comecem já a concertar esforços, construir infraestruturas, desenvolver parcerias, sob pena de Portugal vir a enfrentar uma tragédia nunca vista ao nível dos cuidados com idosos. A melhor forma dos jovens e adultos prepararem hoje o seu próprio futuro é tratarem desde já dos idosos como o carinho, respeito e dignidade a que têm direito.

Há mais de duas décadas que a AMI tem vindo a apoiar a população sénior. Primeiro nos centros Porta Amiga, depois com o Apoio Domiciliário e finalmente através de diversas atividades formativas e lúdicas como os Espaços de Prevenção à Exclusão Social.

 

Fotografias: Alfredo Cunha