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AMI - Age, Muda, Integra

Horta Urbana em Lisboa

 

Uma horta no centro de Lisboa transformada num espaço de integração social. A ideia atraiu o Abrigo Nocturno da Graça que, em colaboração com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, convidou utentes deste equipamento social da AMI a arregaçarem as mangas e meterem as mãos na terra.

João* aceitou o desafio. Desde Maio é presença habitual no jardim botânico do Museu do Traje. “Venho aqui todos os dias. É uma forma de ocupar o tempo”, afirma enquanto caminha atento entre os taludes geometricamente ocupados por ervas aromáticas: Salsa, hortelã, orégãos, manjericão. Ao fundo ergue-se uma estrutura de canas construída pelo próprio e que sustenta o ainda tímido tomateiro. “Gostaria de plantar aqui outras coisas: alfaces e couves. Dão todo o ano”, confessa.

Aos 51 anos, mais de metade vividos em Lisboa, a cidade foi tomando conta do seu espirito. Dedicou-se à construção civil. Como carpinteiro de cofragem ajudou a erguer dezenas de prédios na capital. Agora desempregado, nutre empenho, atenção e um carinho particular pela horta social. Uma espécie de regresso às origens, de quando tinha sete anos e ia para o campo, em Castelo Branco, ajudar os tios a cuidar da terra. Guarda na memória a lógica da natureza e a autoridade das estações do ano. Preocupa-se com o Tomilho que teima em não arrebitar e com as folhas amarelas que periodicamente invadem o tomateiro.

A horta social apresenta-se como um espaço simples desenhado de mosaicos verdes cravados na terra com aromas difusos a hortelã-menta e alfazema no ar. No entanto, a estética da natureza é exigente na forma e generosa no conteúdo. Enquanto espaço complementar de integração social pode ser tão grande quanto a vontade de quem o trabalha.

* Nome Fictício

Abrigo Nocturno da Graça comemora hoje 14º aniversário

Hoje, dia 10 de Novembro, o Abrigo Nocturno da AMI na Graça, em Lisboa, comemora o seu 14º aniversário. Os Abrigos Nocturnos têm como objectivos proporcionar acolhimento temporário a indivíduos sem-abrigo, em idade activa, que disponham de condições que permitam a sua reinserção socioprofissional e simultaneamente proporcionar um espaço de promoção, onde o indivíduo percepcione a sua situação como... sendo de mudança e não algo com tendência para o conformismo e acomodação.
Desde 1997, o Abrigo da Graça já deu apoio a 605 pessoas. Em 2010, recorreram aos serviços deste equipamento social pela primeira vez, 35 homens. Estas são pessoas sem residência fixa, pernoitando muitas vezes nas ruas, em carros e prédios abandonados e estações de comboio, recorrendo a alternativas precárias, como os albergues nocturnos, quartos de pensões ou espaços temporariamente cedidos por amigos ou familiares ou a viverem temporariamente em instituições, como centros de recuperação, hospitais ou prisões. Dentro dos motivos verbalizados por esta população para procurar apoio nos Abrigos pode-se considerar que a precariedade financeira e o desemprego foram os que registaram maior peso.